Por Ana Viana
Albert Camus nasceu em 1913 na Argélia e com apenas um ano de idade teve seu pai morto pela Primeira Guerra Mundial. Sua mãe era analfabeta, mas por conta da descendência espanhola consegue uma bolsa escolar para os filhos o que ameniza a dificuldades familiares que enfrentou em sua infância. Camus obteve uma educação francesa e sempre foi um exemplar aluno; possibilitando assim sua entrada na Faculdade de filosofia. Quando jovem gostava de aproveitar o dia, o sol, o mar, era um amante da natureza, um homem boêmio que acreditava na sublimação do ser humano por meio de uma harmonização pelo intelecto, pela capacidade de dialogar do homem. Assim Camus aspirava pela livre associação de argelinos e franceses.
Adere ao comunismo de forma pacifica e luta pela comunidade pobre da Argélia. Era então a época da Alemanha Nazista, a Italia fascista, uma Europa em plena polvorosa e Camus realizando palestras pelo seu partido ou coordenando peças de teatro. Aprofunda-se então nos seus estudos sobre o nada e algum tempo depois de sua graduação, separa-se de sua mulher. Viaja para Lyon e depois a Praga,volta de viagem com a cabeça cheia de idéias e da início a escrita de sua obra “O estrangeiro”. Apaixonado pela arte, busca a vivência dela pem diversas formas como na criação e direção de peças de teatro.
Era um homem preferia falar sobre a realidade que se dedicar a uma vida de política. Assim rompe com o comunismo e passa a atuar como jornalista com artigos a respeito da pobreza. Em 1942 conhece Sartre onde nasce uma amizade que morre com a publicação da obra camusiana o Homem Revoltado. Um acidente de automóvel leva a vida do escritor em 1960, morrendo “jovem demais” como disse sua mãe.
1- O Absurdo
Inspirado em Malraux, Nietzsche, Kant, entre outros, Camus era existencialista, acreditava no ser humano e não na fé nem em Deus. Para ele as escolhas das pessoas dependem delas mesmas, o próprio agente molda sua essência, ao contrario de uma idéia onde o homem é pré moldado. Assim, o homem é livre para escolher o que quiser desde que essa escolha seja algo, o homem é condenado a ser livre. Ele não se considerava um existencialista mas pregava a idéia do absurdo no qual a vida deveria ser visualizada como uma forma de relacionamento que existe entre o homem e o mundo, tendo a lucidez de compreender esse absurdo de relação, que é a existência. Assim, Camus entra para o time de escritores conhecidos como pensadores da literatura do desespero.
2- O Estrangeiro
A obra se baseia na historia de um homem que assassina um árabe e é condenado a pena de morte por meio de um júri popular por causa de sua maneira de conduzir sua vida. Meursault é o personagem principal da obra onde o autor o descreve como uma pessoa que não esperava muita coisa da vida mas que vivia a sua vida de forma intensa, aproveitando cada momento que para ele era único sem prévios pensamentos a respeito do futuro.
A sociedade impõe a concordância com as normas morais e sociais, mas Mersault não se importava com nada disso, vivia em seu próprio mundo sem se importar com a conseqüência do que fazia muito menos o que os outros pensariam a respeito de sua atitude. Isso tudo o fazia aparentar ser um ser frio, sem sentimentos e indiferente a tudo até mesmo a sua própria mãe. A sociedade então o via dessa forma, e ele em nenhum momento se preocupou em desmistificar essa concepção. Mersault não pretendeu mentir ou se justificar em seu tribunal e tampouco se penitenciou com a chegada do padre e manteve-se sempre livre dentro de seus próprios ideais.
3- O Julgamento
Em um dia lindo de sol o personagem principal da trama vai aproveitar seu dia de descanso na praia juntamente com um casal de amigos e sua namorada. No caminho a praia os inimigos de Raimund, amigo de Meursault começam a segui-los e vão ate a praia atrás deles. Durante a tarde ocorrem mais alguns encontros entre os adversários e em um dado momento do dia Raimund entrega sua arma a Meursault que o guarda consigo. Por conta do alto calor que fazia no local, o protagonista resolve caminhar pela praia porem da mesma maneira que o sol lhe tangia fortemente no dia do enterro de sua mãe, naquele momento a sensação era a mesma. Seus olhos viam o calor do deserto e sua mente ardia em congruência com os raios do sol. Eis que nesse momento surge um árabes deitado na areia dourada e ao ver Mersault levanta e deixa a mostra a lâmina prateada que vai direto de encontro aos olhos de Mersault. A reação deste é de extrema conturbação e em uma atitude atordoada pega a arma e dispara contra seu oponente. Ainda torpe continua e dispara mais quatro tiros.
Assim como todos os atos sem muita transcendência na vida de Mersault, para ele esse foi mais um ato sem expectativa nenhuma, onde ele não esperava e tampouco possuía raiva ou qualquer tipo de sentimento pela pessoa que assassinou.
Tem se assim um caso no qual o agente sendo ameaçado, pois o árabe já havia saído da cidade e ido até a praia por conta de vingança, encontra-se sozinho em um local deserto, com o homem que o estava ameaçando por toda a viagem e em um ato de defesa atira contra este. Porém por conta de sua perturbação momentânea acabou por acertar mais quatro vezes a vitima.
Ora, o agente não tinha nenhuma relação de ódio com ninguém em sua vida, menos ainda com um ser desconhecido e tampouco agiu por ira. Porém, Meursault a vista da situação estava claramente transtornado o que constata assim a presença de animo âstenico sendo assim inexigível conduta diversa do agente, acaba então excluindo a culpabilidade do autor.
